a casa do zander

pensamentos esparsos de uma mente desconexa

Magopaco 2 - Zanderman

Meus amigos que me bajulam…

Zanderman

Zanderman - herói das tardes de domingo

Zander é un sujeito 2.0.
Ele ouve coisas estranhas e outras nem tanto.
Assiste novidades e nostalgias.
Gerou uma bela menina bela.
Trabalha e transita em tecnologia. Alterna constante e traqüilamente entre a sapiência cautelosa do modo de segurança e a vertigem desregulada do overclock.

Mas na primeira oportunidade, ele veste seu surrado capuz bege e assim que encontra um Sandtrooper pela frente levanta a mão em sua direção:

- You don’t need to see his identification.
- We don’t need to see his identification.
- These aren’t the droids you’re looking for.
- These aren’t the droids we’re looking for.
- He can go about his business.
- You can go about your business.
- Move along.
- Move along. Move along.
- Você é uma galinha.
- Có có.

Zander se diverte. Seu lado iluminado tem um certo lado negro.

O Patriota

O Patriota - Ilustração de Magopaco

Ele estufa o peito cantando o hino nacional.
Chora na copa do mundo.
Grita na olímpiadas.
Range os dentes até na disputa do oscar de melhor filme estrangeiro.

Diz que esse país é do caralho.

Estaciona em fila dupla.
Joga papel no chão.
Fura fila em banco/supermercado.
Dá dinheiro pro guarda liberar o carro com documento vencido.
Vota no deputado que prometeu uma vaga na secretaria municipal de obras.

Diz que num país atrasado assim não dá mais pra viver.
Tá tirando o passaporte pra ir morar no Canadá.

Obs: Na polícia federal pagou uma taxa de propina pra receber o passaporte mais rápido.

dos homens

Diz Maria Bercovitch, querida amiga, em A mulher pós-moderna-erna-erna

Os homens são um problema. Onde estão os caras inteligentes, interessantes e sinceros? Difícil o homem que não sai correndo, que não morre de medo dessa mulher que sabe o que quer. O machismo ainda existe. A cafajestagem, também. Algumas continuam aceitando. Outras choram, sofrem e seguem adiante solteiras.

Minha querida, os homens são os mesmos desde a sua invenção. Tal e qual as moças (virginais ou não) eles são a soma dos símbolos que atribuem a si mesmos e que são emprestados dos outros.

Qual canalha não se derramou em lágrimas pelo aconchego de uma menina que lhe fazia um cafuné a troco apenas da sensação? Qual príncipe encantado não olhou para as curvas calipígeas de uma transeunte incauta?

O que importa, no fim das contas, é o sorriso que a vida te entrega diariamente no nascer do sol. Você o pega com o jornal, ou não.

PostSecret - agora acertaram

avó

Júlia Navarro Catta Preta

Minha primeira fita

Tó!


Mixwit

Internet Argument - xkcd.com

Dance Off with Star Wars - 2008

Sexo, drogas e um livro legal

Outro dia recebi um email. Um convite, para ser mais preciso, por email. Eu receberia um livro em casa e escreveria sobre ele, falando mal ou bem do bicho. Não sei se eram as fiandeiras do destino querendo que eu lesse (e escrevesse) mais, mas coincidiu que eu estava lançando o meu outro blogue – um livro por semana, igualmente sem fama ou visitação – e eu topei a empreitada na hora.

capa do livro Sexo, Drogas e Rolling Stones do José Emilio Rondeau e Nelio Rodrigues

Semanas se passaram, papos no MSN para um lado e outro, uma lista de livros medonhos – e de auto-ajuda – me assombrando, chega uma simpática caixa do correio. Dentro dela veio o livro Sexo, Drogas e Rolling Stones do José Emilio Rondeau e Nelio Rodrigues. Confesso que nunca fui fã da banda apesar de gostar, obviamente, de cinco ou seis sucessos deles.

Todavia, tinha topado a empreitada e decidi ir até o fim. O livro tava ali e me faltava apenas a parte sofrida da história. Ler o livro.

Certo que seria sofrido – muito trabalho, namorada, crise pessoal, blogue offline, etc. e tal – adiei por uma semana a abertura da caixa e o início da coisa em si. Mas… mas…

O livro abriu-se para mim como uma flor de carne. Sedução imediata pelo texto do José Emilio – que eu admirava e acompanhava desde os idos da revista Bizz, nos anos 80 – e do Nelio, pelas fichas reveladoras de todos os (ex-)integrantes dos Stones desde a fundação, pelas fotos, pelas capas, pelo projeto gráfico. Só a vida, na sua ojeriza pelo prazer fácil e fluido, é que me impediu de ler o bicho de uma sentada só.

Acabei de fechar a última página com uma impressão ótima do bicho.

Primeiro pelo foco das vindas dos roqueiros em terra brasilis. Obviamente foi escrita para massagear o nosso ego coletivo de nação umbigüenta e de baixa auto-estima, mas feita com carinho, já que Nelio Rodrigues já escrevera outro livro com esse mesmo tema, e dá uma pausa gostosa entre os capítulos mais hard do livro.

Em segundo lugar, pela vontade de “quero mais” que deixou nesse não-fã da banda. Acho que vou comprar um ou dois discos dessa “revelação” do r&b. Obviamente o livro me lembra duas desventuras minhas com shows dos stones, mas isso é assunto para outro texto, outro tema.

Bom livro.

Primeira comunhão de Catarina


Foi sábado. E ela linda, linda.

Na paulista…

publicado na Tribuna da Imprensa

…costumava ser uma expressão usada na faculdade para o ato de passar a brenfa, marofa, canha, baseado, doizinho, pega, a maconha – enfim – com velocidade que, a priori, não deveria ser própria de quem está consumindo um entorpecente relaxador. Ou seja, o cara pega, puxa, traga, e passa sem ter tempo de contemplar o ato, de curtir o momento, e só espera que a onda bata logo. Obviamente pegar a bagana, a vela, a maria-joana, o fumo, o cigarro e ficar contemplando o mundo enquanto ficava olhando a parada queimar lentamente para o nada era chamado de “na carioca”.

Hoje fico pensando se não existe algo mais nessa comparação que a falsa calma do carioca e da pressa inequívoca do paulistano.

Antes que me processem por apologia ao narcotráfico, aviso: nunca fui adepto do uso da cannabis sativa – jamais consegui dar mais que dois tapas e não desmaiar em seqüência – mas curtia ficar com o pessoal na vila dos diretórios acadêmicos da PUC-RJ, na chamada esquina da esquadrilha da fumaça, a quina formada pelas casinhas do povo de desenho industrial, de filosofia e geografia e era completada pela casa do CA de Direito que, diga-se de passagem, o único que tentava fazer algo que lembrava remotamente um movimento estudantil naquela época pós-caras pintadas, pós-reabertura política, pós-ideologias, pós-juventude.

Gostava porque a maioria ouvia o bom e velho rock’n’roll – apesar de um reggae ocasional me torturar a paciência – e todos gostavam de quadrinhos e de alguma literatura. Além disso era o pit-stop obrigatório no caminho do boteco. Esse sim, fornecedor do meu elemento de entorpecimento favorito.

Desculpem se tergiverso um bocado, mas é que me lembrei disso hoje ao andar na Avenida Paulista.

Chovia de um jeito que é cada vez mais raro em São Paulo – chuva fina, tempo frio, vento cortante – e eu ia da Consolação ao Paraíso. Da rua Augusta à rua Brigadeiro Luiz Antônio. Na calçada, a fauna de costume: casais gays na altura do Conjunto Nacional – e da Frei Caneca – jovens executivos entre a Freica e o Trianon, alguns rapazes perdidos no parque, estudantes nos botecos até a Joaquim Eugênio de Lima, mais jovens executivos que foram estudantes há pouco nos mesmos botecos com mesas e cadeiras em plena calçada, hippies/mendigos na altura daquela casa branca que estava abandonada e que fora um MacDonalds até um tempo atrás.

No passar da turba, uma cena insólita. Como sou muito míope, as imagens me vêem aos poucos, sendo construídas no meio da minha falta de foco. Primeiro, um engravatado carregando algo pesado. Depois, consegui ver o portador de terno completo e gravata com mais nitidez. Ele carregava um monitor velho de computador, daqueles de tubo, de umas quinze polegadas, com algum esforço, mas andava com energia e determinação. Mais uns cinco metros consegui ver a face. Barba por fazer, cabelos desgrenhados e loiros, olhar injetado de fúria e os braços de terno sem camisa.

Passou por mim como se não existisse chuva ou destino. Na paulista.

minha filha tem um blogue!

Não sei se me assusto, ou se me orgulho. Acho que ambos.

ADORO!

catarina catta preta

Sem delongas, segue o material. E o link!

foto dos minutemen

Mônica e cia. - versão 2.0

Pequenas mãos

publicado na Tribuna da Imprensa

Diz-se das pessoas com mãos pequenas que são habilidosas, dado que portam dedos pequenos, sutis e delicados, propícios para trabalhos idem. Que com leveza e presteza conseguem fazer o que portadores de desajeitados formões cárpicos não logram êxito. Que são sutis e meigas. Que são feitas para se segurar coisas macias e suaves. Ou para amolecer o que é carregado pelas eras e endurecido pelas pressões históricas. Que são sinal de destreza e são boas para a prestidigitação. Que conseguem tocar a alma e os corações por conta disso tudo e muito mais.

As pessoas de mãos mínimas são quase um esboço de gente feita. Enganam o mais cético dos homens-cinza. São crianças com idade de anciãos. Criaturazinhas que saltam dos cantos iluminados de sol dessas tardes de domingos outonais e que vêm recheadas de sorrisos e doces e babas e cócegas e tudo que te faz perder horas de trabalho a fio. Te fazem deixar o almoço esfriando e você esquecer a televisão falando sozinha, isolada. Do jeito que as tardes outonais de domingo deveriam ser.

Sempre.

Diz-se das pessoas com mãos miúdas que são capazes de encantamentos ínfimos, mas poderosos. Elas tiram as coisas dos lugares e as colocam onde deveriam sempre estar. A carta que não deveria ser lida, no lixo. O convite para a festa que seria esquecida, na carteira de dinheiro. O marcador de texto do livro de economia, trocado de volume, marcando a poesia favorita. A poesia que jamais seria relida. Não hoje. Não com essas lágrimas que pontuam a saudade e a vontade de estar do lado de quem você ama de verdade.
Diz-se das pessoas que têm as mãos ínfimas, que têm pés igualmente singelos. Que andam em silêncio e entram nos lugares onde você nunca esperou que alguém voltasse a habitar. Que acendem luzes nas horas que você pedia uma penumbra, que te impedem de chorar de desespero por achar que ninguém mais te escuta nesse mundo de estática e estrondos. Que te faz trocar de faixa do disco que você ouvia porque a música que estava a tocar era a que te lembrava de alguém que não entendeu que o seu amor era (é) incondicional e que te fez pensar se valia a pena se apaixonar novamente e de novo e mais uma vez, num ciclo de paixões e desejos que nunca se satisfaziam, apenas te arrastavam para a próxima e a seguinte. Que te faz olhar para o dia seguinte e pensar que é mais um sol que nasce e não um poente que se anunciará. Que te faz desejar o cansaço do fim do dia, sinal da vontade imorredoura de tornar-se maior que a vida. Tornar-se aquilo que pretendia ser quando eras uma pessoa (quase-pessoa) de mãos pequenas, miúdas, ínfimas, singelas, diminutas.

Queria dizer isso tudo das pessoas que têm as mãos grandes, agigantadas pelos afazeres e labuta diários. Queria dizer isso tudo de mim. Mas só posso falar que tenho um coração diminuto, singelo, ínfimo, miúdo e pequenino. Que só cabe nas mãos de quem tem as mãozinhas pequenininhazinhas. Do tamanho de uma menina de metro e meio de altura.

Diz-se isso tudo das pessoas que têm as mãos pequenas. E muito mais.

Italian Spider-man

IMPERDÍVEL!!!

Ele toca bateria…

Ele combate o mal…

Ele tem um bigodón…

Ele é… The Italian Spider-man!

The Spirit, o filme

Mais um daquele que eu não posso perder.

Trailer:

Cartaz:
Poster do filme The Spirit, de Frank Miller

Garfield Without Garfield

Dia do Blog Voluntário

tem esse movimento (ou corrente, ou meme, ou whatever) . resolvi fazer a minha parte (em minúsculas mesmo).

Como usar a vida real
1. pense numa praça com grama verdinha
2. pense e, crianças fazendo algazarra
3. pense num pipoqueiro e num vendedor de algodão-doce.
4. desligue o micro.
5. (se você ainda não desligou o micro, desligue-o já)
6. corra para a praça (após desligar o micro. anda, menino! desliga logo).

post novo, blogue novo

Caros,

Não vou fazer piada com a quantidade ínfima de leitores regulares que tenho aqui, pois acho que é demonstração de falsa modéstia com o sucesso de um blogue/coluna/whatever.

Então.

Segue o link pro meu novo blogue, Um livro por semana, onde eu tentarei colocar um texto curto sobre os livros que li. Um por vez.

Visitem, visitem!

Sobre o autor

Sou Zander Catta Preta.

Tenho quase quarenta anos, carioca, desterrado em São Paulo. Conto as histórias que vivi como se fosse de outrem. E as histórias dos outros como se fossem minhas. Revelo o patético, o humano, o carnal das relações mais inocentes.

Não há inocência.

Sou um sátiro. Fato, não consigo me conter nas minhas próprias palavras, tenho de vivê-las. Ainda que me esquive das armadilhas, de ser capturado pela luxúria e lascívia e deixar ser levado pelas torrentes de prazer.

Eu era alguém até ontem. Desde o nascimento fui diversas pessoas, personagens, criaturas. Fato é que não quero ser coisa alguma. Estou sendo. Sou transitório, imperene, diáfano e efêmero.

Quem eu sou? Um mistério em um livro aberto. Uma farsa. E cobro em euros.

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Ganhando um dinheirinho


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